BIOGRAFIA
Paulo: em Latim Paulus: Fraco, Franzino; em Grego: Paulos; em Hebraico: Saul: Reclamado, desejado.
ESCRITOS PAULINOS
Paulo: em Latim Paulus: Fraco, Franzino; em Grego: Paulos; em Hebraico: Saul: Reclamado, desejado.
ESCRITOS PAULINOS
Segunda Carta de São Paulo aos Tessalonicenses
Número de Capítulos
3 Capítulos
Classificação
Uma carta Missionária ou Carta Maior. Alguns classificam-na de primeira Carta.
Autenticidade
Não é autenticamente paulina. É de origem duvidosa. Provavelmente seja de um discípulo de Paulo.
Quando foi Escrita
A opinião tradicional é que a segunda carta tenha sido escrita pouco tempo depois da primeira. Porém o estilo apocalíptico que a distingue claramente da primeira, levam alguns a pensar que ela tenha sido escrita bem depois da primeira.
Onde Foi Escrita
Tudo indica que o local seja o mesmo da primeira
Destinatários
Os mesmos da primeira
Motivos da Carta
A necessidade de corrigir certas idéias errôneas sobre a parusia, que haviam surgido naquela igreja. Pode ser que houve uma falsa interpretação de primeiro tessalonicenses. Alguns tessalonicenses não trabalhavam mais 2 Ts 3,11, pois acreditando numa parusia eminente não viam mais razão para trabalhar. A chegada será precedida de sinais bem perceptíveis. O Senhor virá, mas antes virá o anticristo.
Chaves de Leitura
a. Conflitos: com o império (2Ts 1,4); Uma oposição aberta entre a “igreja dos tessalonicenses” (2 Ts 1,1) e o “mistério da impiedade”(2 Ts 2,7)
b. Escatologia: ou o fim dos tempos: aponta para uma vinda não para já de Cristo (2 Ts 2,1-2);
c. Trabalho: uma das maiores riqueza da carta. Eis sentido cristão do Trabalho (2 Ts 3,6-12). Paulo valoriza o trabalho porque na mentalidade da época trabalho era coisa para escravos. Por isso Paulo valoriza o trabalho.
Um texto Motivador
2 Ts 1,11: “Pelo que não cessamos de orar por vós, para que o nosso Deus vos faça dignos de sua vocação; e que por seu poder faça realizar todo o bem desejado, e torne ativa vossa fé”.
Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios
Número de Capítulos
16 Capítulos
Classificação
Uma carta Missionária ou Carta Maior
Autenticidade:
Paulina
Quando foi Escrita?
55-57
Onde Foi Escrita?
Paulo está em Éfeso (1Cor 16,8ss), durante a terceira viagem missionária.
Destinatários
Uma população composta por sua maioria de gente pobre, sem muita instrução (1 Cor 2,26;7,21;11,21-22), muito provavelmente escravos portuários. Mas era uma comunidade dinâmica, cheia de entusiasmo, com muitos dons e carismas. Marcada também por muitos conflitos e divisões.
Motivos da Carta
Informações recebidas do pessoal da casa de Cloé (1Cor 1,11), sobre problemas da comunidade como divisões (1 Cor 1,12-16), incesto (1Cor 5,1); brigas internas levadas ao tribunal da cidade (1 Cor 6,1); licenciosidade de alguns (1Cor 6,12)
Uma carta da comunidade (1 Cor 7,1), pedindo orientações sobre o casamento (1Cor 7,1-40), consumo de carne oferecida aos ídolos (1Cor 8,4 – 10,33) e comportamento nas assembléias (1Cor 11,2 – 14,40)
Chaves de Leitura
1. ConflitosConflitos e tensões marcam a existência cristã vivida no seguimento de Cristo crucificado (l Cor 1,23) e marcam também o relacionamento entre Paulo e a comunidade. Paulo tem a capacidade de iluminar os problemas mais concretos do dia-a-dia com a luz do mistério mais profundo da fé. Toda a carta está centrada em tomo da vivência do mistério pascal, isto é, da Cruz e da Ressurreição. A Cruz aparece no começo (lCor 1-4) e a Ressurreição no fim (lCor 15). São os pólos da longa caminhada cheia de problemas (lCor 5-14).
2. A loucura da Cruz e a sabedoria do mundo
O contraste entre a "loucura da Cruz" e a "sabedoria do mundo" perpassa a carta do começo ao fim. Com a luz que vem da Cruz de Cristo, Paulo condena as divisões da comunidade
(l Cor 1,17-4,13), questiona a vanglória dos que causam escândalo (lCor 5,1-13), critica uma falsa concepção de liberdade (1 Cor 6,12-20), reprova o comportamento egoísta de alguns nas assembléias (lCor 11,17-34).
3. Ressurreição de Cristo e nossa ressurreição
Paulo aceita a loucura da Cruz e renuncia à sabedoria do mundo porque tem fé na Ressurreição, rejeitada pela cultura grega dos coríntios. Desde o começo da carta a fé na ressurreição já está implicitamente presente na argumentação de Paulo. Mas no fim, no mais longo capítulo de toda a carta, ele a professa explicitamente e refuta com vigor os argumentos em contrário (ICor 15,1-58).
4. A árdua tarefa da inculturação
A Primeira Carta aos Coríntios reflete a necessidade e a dificuldade da inculturação da mensagem cristã. Tratava-se de romper fronteiras e desvincular a fé da cultura judaica. Daí sua atualidade para nós que vivemos num país pluricultural, onde a fé chegou envelopada na cultura européia. Entre outras questões, vale a pena examinar de perto a maneira como Paulo enfrenta o problema das carnes sacrificadas aos ídolos (ICor 8-10) e o da fé na ressurreição (ICor 15) ou como tentou impedir que a comunidade fosse contaminada pela dissolução dos costumes (l Cor 5-6).
5. Problemas de comunidadeToda convivência comunitária tem seus problemas. A comunidade de Corinto tinha os seus, e, nesta carta, Paulo os enfrenta corajosamente: as divisões internas (lCor 1,10-4,21), a ética sexual (l Cor 5,1-13), o recurso aos tribunais (l Cor 6,1-11), o respeito pela consciência dos mais fracos (lCor 8,7-9,27), a boa ordem nas assembléias (lCor 11,1-34), o problema do dom das línguas (lCor 12-14).
Um texto Motivador
1 Cor 9,16: “Anunciar o Evangelho não é título de glória para mim; é, antes, uma necessidade que se me impõe. Ai de mim, se eu não anunciar o Evangelho”.
Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios
Número de Capítulos
13 Capítulos
Classificação
Um carta Missionária ou carta Maior
Autenticidade
Paulina
Quando foi Escrita?
Entre 56 e fins de 57
Onde Foi Escrita?
Trata-se aqui de uma Coleção alguns acham que Paulo estava em Éfeso; outros acham que ele estava na macedônia. Alguns dizem que Paulo teria escrito a segunda no mesmo período da primeira, quando Paulo, saindo de Éfeso, viajava pela Macedônia (2Cor 7,5) e talvez estivesse em Filipos.
Destinatários
Os mesmos da primeira Carta
Motivos da Carta
Foi escrita sobretudo para refutar as calúnias de que Paulo era vítima e para resolver o conflito que surgiu no relacionamento com a comunidade. Num estilo vivo e apaixonado, ele esclarece o mal-entendido (2Cor 1,12-2,11), comenta suas atividades (2,12-7,16) e defende o seu ministério (2Cor 10-13).
Chaves de Leitura
1. Defesa e consolação do missionário
Paulo foi acusado de ser volúvel e fraco (2Cor 10,10), ambicioso (2Cor 10,12-17), sem amor pela comunidade (2Cor 11,7-11), inferior aos outros evangelizadores (2Cor 11,4-5), por falsos apóstolos (2Cor 11,12-13). Foi gravemente injuriado (2Cor 7,12; 2,5-11). Ele se defende vigorosamente, porque está em causa o Evangelho que quer anunciar (2Cor 12,19). Bom esgrimista, Paulo sabe manejar com rara habilidade a arma de sua fé incondicional em Jesus Cristo contra os golpes de seus adversários. Nela é que está a fonte da consolação, do conforto e da esperança que o fazem superar a fraqueza e as tribulações que invoca como testemunho a seu favor.
2. O uso da Escritura
Em 2Cor 3,1-4,6, temos um dos textos mais importantes para saber como Paulo encarava a Escritura e a sua interpretação. É aqui que ele usa pela primeira vez a expressão "Antigo Testamento" ou "Antiga Aliança" (2Cor 3,14). A Nova Aliança, anunciada por Jeremias (Jr 31,33), é a comunidade cristã. Ela é a "Carta de Cristo", escrita não com tinta em pedras, mas com o espírito de Deus vivo "em táboas de carne, nos corações" (2Cor 3,2-3). A comunidade que possui o Espírito é que dá vida à letra. Do contrário, a letra poderia matar a fé (2Cor 3,6).
3. Mística e resistência nas tribulações
Para conhecer Paulo, nada melhor do que as duas Cartas aos Coríntios. Nelas Paulo se revela. Por exemplo, em 2Cor 4,7-6,10, transparece como ele vive e se sustenta no meio dos conflitos da sua missão. Em 2Cor 12,1-6, fala das experiências místicas que teve nos primeiros anos após sua conversão e da fraqueza que sente dentro de si (2Cor 12,7-10).
Um texto Motivador: 2 Cor 13,11: “De resto, irmãos, alegrai-vos, procurai a perfeição, encorajai-vos. Permanecei em concórdia, vivei em paz, e o Deus de amor e de paz estará convosco”.
Carta de São Paulo aos Gálatas
Número de Capítulos
6 capítulos
Classificação
Uma carta Missionária ou carta maior
Autenticidade
Paulina
Quando foi Escrita
Paulo escreveu esta carta durante a terceira viagem missionária, por volta do ano 57/58
Onde Foi Escrita
Provavelmente quando Paulo estava em Éfeso
Destinatários
O nome "Gálatas" vem dos gauleses, originários da Gália, que emigraram da Europa e ocuparam uma região da Ásia Menor (atual Turquia), no século II a.c. Trata-se, portanto, de uma região, e não de uma cidade. Durante a segunda viagem, uma doença o forçou a parar na Galácia (At 16,6; GI4,13-14), uns cinco anos antes, e, no início da terceira viagem, ele passou por lá uma segunda vez (At 18,23).
Motivos da Carta
No pouco tempo decorrido entre a segunda visita e a carta, apareceu o problema. Alguns judaizantes, talvez ligados aos cristãos de Jerusalém, queriam impor aos gentios convertidos a circuncisão e a observância da Lei mosaica (GI 1,6ss.; 5,7-12; 7,10-20) e moviam uma campanha contra Paulo, questionando sua legitimidade apostólica (GI 1,1-2,9; 5,10). Daí o caráter polêmico e combativo desta carta. Com extremo vigor, Paulo exibe suas credenciais e defende a legitimidade de seu anúncio evangélico (GI 1,6-2,10). Como exaluno da escola rabínica, Paulo está bem equipado para desmascarar o legalismo judeu-cristão de seus adversários. Nos capítulos 3 e 4, maneja com habilidade a interpretação alegórico-rabínica do Antigo Testamento, fazendo o feitiço voltar-se contra o feiticeiro. Enfaticamente recorda sua discordância com a atitude dúbia de Pedro em Antioquia (Gl 2,11-14) e insiste, em termos extremamente fortes, no lugar central que Jesus Cristo deve ocupar na vida (Gl2,15-21). Com grande poder de síntese, Paulo apresenta a estrutura da vida cristã: acolher pela fé a ação do Espírito Santo e comunicá-Ia através do amor (Gl 5,5-6). É no amor ao próximo que está a plenitude da Lei (Gl 5,4). Não poupa ironia ao referir-se aos judaizantes (Gl 5,7-12) e proclama em alto e bom som a liberdade cristã e a exuberância da ação do Espírito (Gl 5,13-26). Paulo martela no essencial do Evangelho, que é o amor, e não o legalismo. O amor ativo nasce da liberdade, fruto da fé, e compromete a totalidade da pessoa em tarefas concretas, frente às situações da vida, levando-a a realizar muito mais do que qualquer lei poderia exigir (Gl 6,1-6). Nosso destino final será a conclusão natural de uma escolha de vida: viver segundo os instintos egoístas (segundo a carne) leva à corrupção e à morte, enquanto viver segundo o Espírito ou segundo o amor leva à vida eterna (Gl 6,7- 1 O).
Num último ímpeto, Paulo escreve "de seu próprio punho" a conclusão, acusando os judaizantes de orgulho, covardia e falsidade, ao contrário dele, que só se gloria na cruz de Jesus Cristo, cujas marcas estão impressas em seu corpo (Gl 6, 1 1-18).
Chaves de Leitura
A Carta aos Gálatas é rica em temas fundamentais para a compreensão da vida cristã: fé, liberdade cristã, carne x espírito, primado do amor, igualdade em Cristo, superando as diferenças sociais, raciais ou de gênero, frutos do Espírito, etc. A chave-mestra é a irredutível unicidade da salvação em Cristo, oferecida gratuitamente por Deus e libertando-nos de qualquer outro vínculo.
Perante os judaizantes tão fortemente fustigados por Paulo, somos levados a pensar nas pessoas que procuram garantir a salvação multiplicando práticas religiosas, mas indiferentes ao que se passa ao redor. O acúmulo de práticas pode embotar a consciência da condição de pecado e, conseqüentemente, da gratuidade da salvação. "É para a liberdade que Cristo vos libertou" (GI 5,1). Libertos, temos de lutar pela libertação num mundo de opressões.
Um texto Motivador
Gl 5,1: “É para a liberdade que Cristo nos libertou. Permanecei firmes, portanto, e não vos deixeis prender de novo ao jugo da escravidão”.
Carta de São Paulo aos Efésios
6 capítulos
Classificação
Carta da Prisão
Autenticidade
Duvidosa
Quando foi Escrita?
Ano
60-64
Onde Foi Escrita?
Como as cartas aos Colossenses, aos Filipenses e a Filemon, apresenta-se como escrita da prisão (Ef 3,1; 4,1; 6,20). Mas o estilo impessoal, a ponto de considerar os efésios desconhecidos (Ef 1,15; 3,2ss.; 4,21), é muito estranho para quem passou três anos no meio deles (cf. At 19,1-20,1).
Destinatários
Alguns acham ainda que se trata de uma carta circular, dirigida às Igrejas da Ásia Menor. Assim como a Carta aos Romanos amplia e aprofunda a reflexão da Carta aos Gálatas, esta carta amplia e aprofunda a reflexão da Carta aos Colossenses. O motivo do título, "aos Efésios", foi conservado porque a cópia da circular que passou a constar das cartas paulinas foi encontrada em Éfeso. Mas a menção a Éfeso em Ef 1,1 falta em muitos manuscritos.
Chaves de Leitura
Igreja e Família: Um indício de que esta carta é de uma época posterior a Paulo é a preocupação com a solidificação da Igreja, que aponta para a última década do século I. Já não existe a expectativa da volta imediata de Cristo e a Igreja deve prepararse para durar muito tempo. Não admira que o segundo centro de atenção seja a família, em que a Igreja deita as suas raízes (Ef 5,21-6,9). A estabilidade da família deve ser cimentada no amor de Cristo.
O combate da fé: Viver a fé num mundo adverso e hostil não é possível sem combate, sem militância. A carta é muito incisiva quando descreve as forças que devemos enfrentar e os recursos com que nos devemos equipar (Ef 6,10-20). Esse conceito de militância, com profundas raízes cristológico-bíblicas, é de palpitante atualidade para nós, hoje, diante das poderosas forças que desafiam a nossa fé.
Cristologia: Cristo não vive só no interior de cada pessoa.Ele é cabeça da Igreja em que são incorporados judeus e gentios (Ef 1,3-3,21). Mais ainda, é cabeça de toda a humanidade, Senhor da história e de todas as dimensões do universo. Esse cristocentrismo da Carta aos Efésios é que inspirou a concepção do "Cristo cósmico" do sábio jesuíta 'Ieillard de Chardin, que morreu em 1955 e foi uma das figuras marcantes do nosso século.
Um texto Motivador
Ef 6, 18: “Com orações e súplicas de toda a sorte, orai em todo o tempo no Espírito, e para isso vigiai com toda perseverança e súplica por todos os santos”.


Nenhum comentário:
Postar um comentário