segunda-feira, 10 de agosto de 2009

EIS AQUI MEU SENHOR

Eis aqui meu Senhor!
Nesta Manhã Senhor
te trago o meu louvor.
Eu te agradeço pela cicatriz
daquela flor.
Mas eu só via a Flor!
Quando eu a toquei
com todos os meus sentidos,
vi que também tinha espinhos.
Pensei comigo: Hummm...
Vai ser árduo esse caminho.
Mas, como gosto de caminhar,
abracei aquela Flor.
E no abraço que a dei,
correram lágrimas e sangue.
Pois, os espinhos penetraram
em todos os meus sentidos.
Mas não desanimei...
Para aquela flor eu olhei,
aquela flor eu amei.
E quando eu a amei,
eu descobri que ela não era minha.
Era do meu Criador.
Obrigado Senhor!!!
Eis aqui meu louvor
e a cicatriz: presente
que aquela flor me deixou.
Confesso que ainda dói...
Porém, se Amor rima com Dor,
Muito obrigado meu Senhor.

(Dia 10 de agosto de 2009, segunda-feira - Pe. Mateus Gonçalves da Silva)

PORQUE ME CUIDAS?

Por que me cuidas desse modo?
Por que me olhas desse jeito?
Por que me tocas assim, com tanto cuidado?
Tens medo de me perder?
Temes que algum dia eu possa te negar?
Por que me cuidas desse modo?
Por que me tocas assim?
Cuidas de maneira especial de minha alma.
Fazes me sentir as vezes como um tolo. Um louco.
Um poeta. Um filósofo.
O seu amor me deixa assim:
incapaz de compreendê-lo,
mas incapaz de não amá-lo.
Por que me cuidas desse modo?
Vem a tempestade, a impetuosidade.
Um fogo abrasador que arde em meu coração.
Tenho tristezas solidões, saudades, medos.
Tenho ao mesmo tempo uma nostálgica sensação de
felicidade. Aí sinto-me em paz.
Ouço o mormúrio da brisa suave que passa.
Sinto que estou em tua presença.
Tu te aproximas suave e toca o meu rosto perplexo.
Divinamente acaricia o meu ombro.
Que fazes aqui? Porque cuidas desse modo
de minha alma?
Tu, nada respondes.
Apenas sorris para mim
e suave como a brisa, segues
o teu caminho.
Meu Coração não é mais o mesmo desde então.
Minha razão não é mais a mesma.
Sei porque me cuidas desse modo: Porque me Amas.
Obrigado Senhor.

(Leccio Divina do dia 3 de abril de 2000, inspirada no texto 1 Rs 19,1-21 - Pe. Mateus Gonçalves da Silva)

SOMOS EU E VOCÊ


Somos eu e Você

Somos eu e Você agora.
Somos só eu e Você.
Você diante de minha intimidade,
eu diante de seu mistério.
Você diante de minha timidez,
minhas angústias e fraquezas.
Eu diante de suas Grandezas.
Sem rodeios nos despimos um para o outro.
Eu talvez demore um pouco
a acreditar no que esteja acontecendo.
Você nao. Desde o princípio já se mostra misterioso
e tem certeza que o nosso relacionamento dará certo.
Você sabe que eu sou capaz.
Eu sinto que o seu amor é muito grande frente à minha pequenez.
Não posso definir o seu rosto.
Quero compreendê-lo, mas não consigo.
Sou humano demais.
Vou deixar dessa relação, penso eu.
Penso, penso, mas ...Agora nao tem mais volta.
A sua Luz e o seu mistério é como o barulho
harmonioso da chuva: envolvente e suave.
Não. Agora não tem mais volta.
Terei de ser seu para sempre.
Seu amor me conquistou, eu sei.
Mas o medo ainda há em mim.
Medo de perdê-lo.
De não ser totalmente seu.
Medo de trair o nosso amor.
De repente sinto a minha alma mesclada
ao seu amor misterioso.
E já não posso mais separar Você de mim.
Somos eu e Você agora.
Meu Coração palpita
porque agora somos só eu Você....

(Leccio Divina do dia 2 de abril de 2000, inspirada em Gn 18,1-15 - Pe. Mateus Gonçalves da Silva)

O PERDÃO CURA: DOM ORLANDO BRANDES

Perdoar não é fácil, mas é o caminho mais eficaz para a convivência humana saudáveL e feliz. Nosso viver e conviver sobrevivem graças ao perdão que é uma atitude de amor incondicionaL, de compreensão, de misericórdia e de aLta sabedoria.
Quem não perdoa é um perdedor. Perde de dois a zero . porque frustra o relacionamento humano e carrega dentro de si o Lixo da mágoa e amargura. Quem perdoa alcança o zero a zero, ou seja, restabelece a comunhão e expulsa o veneno do ressentimento. Terá saúde física, psicológica, social e espiritual. O perdão é remédio, cura, excelente' terapia.
Quem não perdoa, não esquece o maL e sofre a doença da "cornpulsão da repetição"; vive sempre lembrando, repetindo, desabafando a dor interna. Por não perdoar irá sempre culpar alguém e vingar-se. Isso tudo aumenta o sofrimento e o desgaste físico. Perdoar é tirar a raiz da amargura.
Perdoar é compreender, desistir de julgar e de culpar os outros. Isto é possível quando reconhecemos que somos barro. Ninguém é infalível. Quando aceitamos nosso barro e o dos outros, conseguimos perdoar. Com o perdão conseguimos dar um novo significado ao fato que nos magoou, temos nova compreensão, novo olhar, novo sentimento sobre fatos e pessoas. O perdão muda a realidade porque é encontro com a verdade.
Perdoar é reatar o relacionamento rompido, é colocar-se nas mãos do outro, abdicar do julgamento pessoal. É um' gesto de gratuidade no qual fazemos o dom de nós mesmos. Sem o perdão somos pesados, doentes, depressivos, agressivos, desumanos. Perdoar é re­humanização de si.
A falta de' perdão torna falsa e estéril a oração. O rancor, a mágoa, o ressentimento impedem a ação da graça. O sentimento negativo é uma energia venenosa que s~ transforma em doença, insônia, agressividade, imoralidade, alcoolismo, barulho, farra,etc. Muitos problemas da vida têm sua raiz na falta de perdão.
A mágoa, o ressentimento, a amargura, são energias e sentimentos destrutivos.
Assim, quem não perdoa odeia a verdade, carrega veneno na alma, destrói o bem, afasta-se, da caridade, vive no azedume e critica, fere o coração, morre aos poucos, sente-se perdido. Só restá' o vazio, a soLidão e a algazarra para abafar o mal-estar interior ..
As conseqüências negativas da faLta de perdão são tão perigosas e destruidoras que a Bíblia aconselha a perdoar antes do pôr do sol. Não deixar para amanhã. Não ir dormir com raiva: "Não se ponha o sol sobre vossa ira" (Ef 4,26). Igualmente Jesus manda perdoar setenta vezes sete, isto é, sempre, imediatamente e de todo coração. O perdão é tão benéfico que deve ser dado incondicionalmente, totalmente, incansavelmente. Na oração do Pai Nosso, o perdão está ao lado do pão de cada dia. O perdão também é pão da vida, porque é o amor sem medidas, amor de mãe, amor misericordioso. É o perdão que possibiLita a fraternidade e a boa qualidade do relacionamento humano.

(Texto de Dom Orlando Brandes Arcebispo de Londrina)