sábado, 15 de agosto de 2009

HORIZONTE

HORIZONTE

Meu olhar taciturno perpassa o horizonte
iluminado pelo pôr-do-sol que se vai.

Ao ar noturno que se aproxima, deixo o
meu espírito banhar-se na brisa suave.
Brisa que desliza sobre o meu corpo e
deixa o meu espírito solto.

O horizonte iluminado me diz que a vida passa.
Que o tempo é conjugado pelo ser e o não ser
do meu ser dialético; pelo meu espírito imortal
e ansioso por vida.

O horizonte dourado me diz que Deus existe
e é uma comunidade plasmada num profundo,
incomensurável e sagrado amor pelos homens.

Meu olhar taciturno e contemplativo, me faz ver
uma nuvem maravilhosamente negra que vem,
e, que, neste crepúsculo, se aproxima do sol,
aparentemente cansado de brilhar, mas
majestosamente belo e sedutor.
Tão sedutor quanto a nuvem que dele se aproxima.

Aos poucos meu olhar pode notar que o interesse
daquela nuvem não é tirar o brilho estonteante do sol.

Quer, na verdade, ser aquecida e envolvida pelo encanto
que a persuade e a faz reconhecer-se na plenitude própria
de seu belo ser. Quer ser ela mesma, quer caminhar com
suas próprias pernas, quer ser livre, mas não quer sê-la para
si própria. Não quer roubar a beleza do sol para si.

Ficar sem ele não pode, porque ele é parte do seu ser.
Cadê o horizonte dourado pelo pôr-do-sol?
Ah! Cá está ele, belo como nunca, sincero como sempre.

Parece gostar da presença da nuvem belamente negra,
mas algo o preocupa, lá em seu âmago, lugar que somente
ele conhece e desconhece:
-Será a noite estrelada?
- Será uma noite de enxurrada?
- Será uma noite enluarada?
- Tanto faz. Pensei em Paz.

O que me compraz é o prazer de contemplar ao luar
estrelas reluzentes, confiantes de suas belezas,
alegres de espírito e de mentes.

Se pela chuva banhando,
Quero me deixar banhar.
Quero mesclar-me a esse amor molhado.
Quero ser amado.Quero. Por quê?

O sol crepusculante é o motivo do meu cansaço,
o sono é o motivo de minha poesia transformar-se
num bagaço em artes. Necessário para a composição das partes.

Meu olhar sem rumo se encontra. Parece abatido.
Quer repousar nos braços da noite.
O sol se foi. A nuvem se desfez.
Eu sou o mesmo. E o horizonte, onde foi?
Meu poema reclama:
-minha conclusão, onde está?
- O que há? Pergunto.
- Não gostas de ser comigo?

Para que reclamar?
Tudo tem o seu tempo.
Se tens o teu fim, teu fim chegará.

Dizer-te não posso agora, compreendo tua incompreensão,
o teu mal-estar. Não demora e compreenderás.
Sabes tu, acaso o dia em que o sol deixará de brilhar?
(25 de abril de 2000, em Santa Helena/Pr - Pe. Mateus Gonçalves da Silva)

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